Somos fiadores de alguém? Muitos lerão e dirão: “Não, eu não sou fiador de ninguém.”. Outros pensarão: “Nem idade pra isso eu tenho.”. Vamos nos colocar a pensar nos fiadores de uma forma diferente.Ser fiador de alguém é assinar um tratado de confiança a alguém; é alguém que oferece o próprio nome, por questão de segurança quando se assumem grandes compromissos; e segue naquela ideologia: “Você não tem responsabilidade suficiente para assumir esta dívida; para firmarmos este 'contrato', precisamos que você nos forneça toda a responsabilidade que possui e mais um pouco ainda (um fiador), por que só a sua responsabilidade não é suficiente.”. Para isso, inventaram o fiador; para amenizar a força do “pra que ele serve” e assim, fechar negócios sem ofender tão claramente o futuro endividado.
Agora que está bem claro o conceito de fiador, podemos analisar isso de um terceiro ângulo.
Ser fiador de alguém está além de uma assinatura em algumas páginas de papel branco. Ser fiador de alguém é confiar sua vida a alguém; uma vez feito isso, o ser de quem somos fiadores se torna nossa responsabilidade. É como se tivéssemos algo que não tem dono. É uma propriedade viva que ora nos pertence, ora não, mesmo tendo nosso nome 'assinado' ali.
Ser fiador, nos deixa a domínio de nossa propriedade. Somos obrigados a fazer tudo para que nossa propriedade não nos esqueça. Existem pessoas que são fiadores sem que percebam. Confiamos nossa vida, nossos prazeres, nossa felicidade, nosso ser e nossa alma a alguém que pode falhar. Esse é um erro que – da mesma forma que o tempo – não pode voltar atrás.
O simples gesto de darmos a nossa palavra de confiança pode nos tornar fiador de alguém. É como um contrato invisível em que a cláusula final diz: “Em caso de descumprimento da palavra, o fiador arcará com todos os prejuízos, dando sua vida de sucesso como pagamento.”.
Só há um jeito de sair disso: Devemos diretamente pedir a quem prometemos, que nos livre dessa obrigação; que nos livre dessa responsabilidade. É um caminho com porta única em que só podemos sair por onde entramos. Não podemos descansar antes de estarmos livres de responsabilidades que não são nossa responsabilidade; devemos sair desta armadilha antes que ela nos prenda; devemos fugir dela como a caça foge do caçador.
Todos nós somos preguiçosos. A preguiça, de uma forma mais clara, é a falta de vontade de fazer as coisas. Às vezes temos preguiça de trabalhar, talvez de ler, estudar, andar... temos preguiça de tudo.
Mas o pior não é ter preguiça se mover. O pior é quando a oportunidade de viver melhor passa em nossa frente, mas temos preguiça de pega-la, por que para isso seria necessário dar alguns passos. Quando temos que fazer escolhas difíceis para o nosso bem, e a preguiça nos força a não fazer nada, por que nos acomodamos ao nosso presente, ou talvez ao nosso passado, ou mesmo por que temos preguiça (aliada ao medo) de pedir o rompimento do contrato de fiador que assinamos.
Por que não aprendemos a lição das formigas? Elas não têm líder, nem chefe, nem governador, nem nada que as mande fazer as coisas, mas elas trabalham duro guardando comida para o inverno. Ai alguns dizem: “É claro que elas tem um líder. E a formiga rainha? E o Zangão?” (A formiga rainha é só uma formiga que é usada para fazer outras. Uma máquina de reprodução que define o tamanho da colônia, mas ela não dá ordens às formigas do que deve ou não ser feito – embora a colônia seja de maior parte feminina, uma só é responsável pela reprodução. Os Zangões são apenas formigas macho que servem para fecundar a rainha, mas depois disso, eles morrem.)
Nós guardamos comida para o inverno? Trabalhamos para que tenhamos um futuro, para manter o passado vivo ou trabalhamos apenas no presente e para o presente? Até quando ficaremos deitados em nossas camas?... esperando a oportunidade passar, para talvez pensar se levantamos para pegar ou não. Pensamos: “Virá uma próxima oportunidade e poderá ser melhor que essa.”, e simplesmente cruzamos os braços e esperamos mais um pouco. Tiramos um cochilo. E enquanto isso, todo o mundo a nossa volta nos ataca, como quem quer nos roubar e tirar tudo o que temos.
Pessoas más vivem dizendo mentiras, tentando nos convencer. Apontam os erros dos outros pra nós, como se adiantasse alguma coisa e sempre na mente destas pessoas, o mal é o que importa. Já não faz mais sentido falar mal, é necessário ganhar algo com isso – pensam eles – e praticam o mal com algum objetivo.
Devemos ficar atentos aos gestos dos outros.
E do nada, o mau se revoltará contra quem faz uso dele, e nesse momento, não haverá para onde correr. É preciso ficar atento para não nos tornarmos mais um deles.
Não podemos ser orgulhosos. O que temos não é nada, comparado ao que podemos ter se formos aprovados na prova da vida.
Não podemos mentir. A verdade é dolorida sim, mas essa mesma verdade, pode ferir muito mais, quando vem só depois da mentira.
Não podemos julgar, pois todos nós temos parte inocente e parte culpada em nossas vidas. Nossos erros não são consequência dos atos de outras pessoas.
Não podemos fazer planos isolados, como se não estivéssemos nem ai pra ninguém. Isso nos torna pessoas perversas, pois o mundo não é feito de uma pessoa só.
Não podemos ter pressa para se dar bem em alguma situação, pois o nosso bem pode fazer mal a alguém. Tenhamos cautela.
Não podemos mentir pensando em fazer bem a alguém. A mentira não é boa e não traz nada de bom com ela. Não podemos mentir achando que se dissermos a verdade, acabaríamos por magoar. Isso pode dar a um problema de soma, um resultado de multiplicação tornando o baque da verdade, ainda mais devastador.
Não podemos provocar brigas e discussões. Isso só nos leva a quebrar a ponte que levamos anos para construir. Sejamos pacientes, mas não assine um contrato que pode te levar a prisão.
Santo Antônio (45 234)
AutorEmerson Coutinho é natural de uma pequena cidade do interior de São Paulo - Pauliceia. Aos 18 anos, resolver ir embora da casa de seus pais em busca de destaque profissional e conhecimento! Tudo que ele tinha era uma mala e uma vontade tremenda de fazer as coisas darem certo. Se converteu ao cristianismo aos 20 anos e desde então, é membro ativo da Primeira Igreja Batista Pioneira em Blumenau, Santa Catarina.

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